segunda-feira, 26 de outubro de 2020

Jequié: Novo romance de Carvalho Neto transita entre a vigilância humana e suas inevitáveis consequências



Nossa necessidade de observar, avaliar e vigiar é matéria de pesquisa em vários campos de estudo. E isso também se reflete na literatura, visto que os escritores são tidos como as antenas do seu tempo: captam várias tendências, capturam comportamentos e visões de mundo que se formam à sua volta. Carvalho Neto, que também é professor de Literatura, está lançando pela Editora Penalux seu novo romance, “Quando nos observam”. A obra, com 208 páginas, aborda exatamente esse aspecto.

No livro, a presença do narrador em segunda pessoa e o nome do personagem central foram escolhidos para esse propósito também. O personagem central é observado por essa voz externa, narradora, e ele será o vigilante insone numa ala psiquiátrica. Seu nome, Gregório, significa “o acordado”, “o alerta”, “o vigilante”. “Há essa voz que fala com o personagem central e o observa quase que constantemente”, explica Carvalho. “Mas ele não a ouve, não pode; é a voz do narrador em segunda pessoa ajudando a construir a história”. Gregório, o personagem em questão, e também narrador, é “aquele que vigia, o alerta, o acordado”. Daí temos o arquétipo para a trama do livro: observar e ser observado”, conclui.

A ideia do título se relaciona com o constante observar humano e suas consequências. “O nosso olhar para o outro e quando o outro também nos observa”, conta o escritor. “Essa troca gera, entre as pessoas, medo, incerteza, insegurança, vaidade, controle, poder, fragilidade, falsas impressões e até mesmo loucura”. O enredo do romance vai por esse caminho. Após treze anos de ausência, Gregório regressa ao seio da família. Encontra-se com o pai — e seu peculiar universo — e se depara com o sumiço repentino do irmão mais velho. Vivendo entre uma estranha alameda e o hospital onde trabalha, Gregório tentará manter o sono e a sanidade mental em equilíbrio; e isso, muitas vezes, não é tão simples assim de se conseguir.

“A obra de Carvalho Neto nos lembra, com uma ironia desconcertante, que não há batalhas reais entre esses mundos, mas somente momentos de continuidade e descontinuidade, não havendo aqui, portanto, vencedores”, escreve o escritor José Manoel Ribeiro, que assina o texto de orelha do livro.

Pedro Anselmo Carvalho Neto é professor de literatura e escritor de contos e romances. Natural de Jequié-BA, é graduado em Letras Vernáculas pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) e mestre em Literatura e Diversidade Cultural pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). É autor de mais três livros: “Casa pétrea de dois alpendres”, “Plástico bolha” (romances) e “No caminho de volta” (contos). A obra “Quando nos observam” já está à venda no site da editora (www.editorapenalux.com.br/loja/quando-nos-observam) e também diretamente com o autor (p.carvalhoneto1@gmail.com; @p.carvalhoneto (Instagram) ou WhatsApp: 73-98809-3451).



domingo, 25 de outubro de 2020

Justiça Eleitoral poderá exercer o poder de polícia, caso as normas elencadas sejam descumpridas

São obrigados o uso de máscaras e álcool em gel, assim como manter o distanciamento social.


As restrições impostas nos últimos dias visando conter a propagação do novo Coronavírus têm obrigado os candidatos a buscarem alternativas para manter suas campanhas eleitorais nas ruas. Com a proibição de comícios, caminhadas e outras atividades com aglomerações acima de 100 pessoas, não resta saída senão realizar eventos cercados de cuidados sob pena de terem suas ações interrompidas pela justiça eleitoral que tem atuado preventivamente, a partir de reuniões com os representantes de todas as coligações partidárias de Jequié, na tentativa de evitar uma intervenção mais drástica.

A Justiça Eleitoral poderá exercer o poder de polícia a qualquer momento, inclusive interrompendo o evento caso uma das normas elencadas sejam descumpridas.

No caso de carreatas, a determinação é que os carros sejam posicionados em fila desde a chegada dos veículos à concentração inicial. Cabe a organização do evento impedir que os ocupantes dos veículos desçam. Por determinação judicial, está proibida a distribuição de santinhos e adesivos do tipo ‘praguinha’ durante o evento, pois não é permitido nenhum tipo de aglomeração.

Também não é permitida nenhuma pessoa acompanhando a pé durante carreata. A única exceção é a equipe de segurança do governador, presidente da República, ou outra autoridade que exija a presença desses profissionais. Carros com carroceria – fundo aberto – somente poderá transportar na parte de cima, no máximo 3 pessoas. Porém, o carro com fundo aberto que transportar o candidato, poderá ter ele e mais 3. São obrigados o uso de máscaras e álcool em gel, assim como manter o distanciamento social.


Mensagem do prefeito interino Hassan Iossef pela passagem dos 123 anos de emancipação de Jequié

 

Blog www.zeniltonmeira.com 12 anos retratando os fatos

 

Jequié: 123 anos de muitas histórias administrativas e políticas. Viva Jequié!




O Município de Jequié se desenvolveu a partir da movimentada feira livre que atraía comerciantes de todos os cantos da região, no final do Século XIX. Pertenceu ao município de Maracás de 1860 a 1897. Jequié é originado da sesmaria do capitão-mor João Gonçalves da Costa, que sediava a Fazenda Borda da Mata. Esta mais tarde foi vendida a José de Sá Bittencourt, refugiado na Bahia após o fracasso da Inconfidência Mineira. Em 1789, com sua morte, a fazenda foi dividida entre os herdeiros em vários lotes. Um deles foi chamado Jequié e Barra de Jequié. Em pouco tempo, Jequié tornou-se distrito de Maracás, e dele se desmembrou, tendo como primeiro intendente (prefeito) Urbano Gondim.

A partir de 1910 é que se torna cidade e já se transforma em um dos maiores e mais ricos municípios baianos. Pelo curso navegável do Rio das Contas, pequenas embarcações desciam transportando hortifrutigranjeiros e outros produtos de subsistência. No povoado, os mascates iam de porta em porta vendendo toalhas, rendas, tecidos e outros artigos trazidos de cidades maiores. Tropeiros chegavam igualmente a Jequié carregando seus produtos em lombo de burro. O principal ponto de revenda das mercadorias de canoeiros, mascates e tropeiros deu origem à atual Praça Luis Viana, que tem esse nome devido a uma homenagem ao governador que emancipou a cidade.

Ali veio a desenvolver-se a primeira feira livre da cidade que, a partir de 1885, ganhou mais organização com a decisão de José Rotondano, José Niella e Carlos Marotta, comerciantes e líderes da comunidade italiana, de comprarem todo o excedente dos canoeiros e de outros produtores. Depois da terrível enchente de 1914, que destruiu quase tudo em Jequié, a feira, o comércio e a cidade passaram a desenvolver-se em direção às partes mais altas.
Em 1927, festejou a chegada da "Estrada de Ferro de Nazareth". Já nesse tempo, Jequié era uma das cidades mais importante do Estado e teve no comerciante Vicente Grillo seu grande benfeitor.

Importante episódio da história estadual foi a decisão inusitada tomada pelo então Presidente da Assembléia Legislativa do Estado, Aurélio Rodrigues Viana que, assumindo o governo em 1911, decretou a mudança da capital do estado, de Salvador para Jequié - ocasionando imediata reação do governo federal, que bombardeou Salvador e forçou a renúncia do político que adotara a medida.
Jamais tendo se constituído de fato, o gesto, entretanto, marcou a História da Bahia, como um dos mais tristes, sobretudo por ter o bombardeio da capital provocado o incêndio da biblioteca pública, onde estava guardada a maior parte dos documentos históricos de Salvador.