quarta-feira, 11 de março de 2015

Agricultoras familiares do sudoeste rompem fronteiras e celebram conquistas



A arte de fazer dos frutos cultivados em suas terras produtos que geram renda e ocupação para milhares de famílias na Bahia tem sido, dia após dia, o desafio e, ao mesmo tempo, a conquista de mulheres que trocam a rotina das tarefas de casa pela riqueza das atividades e oportunidades oferecidas pela agricultura familiar.

Trata-se de um grupo, cada vez mais organizado e promissor, de trabalhadoras jovens, adultas e idosas, que rompem fronteiras territoriais e encontram, no ofício da agricultura, motivos para mudar de vida, tornando o empreendedorismo e a presença feminina nas cooperativas e organizações do campo, áreas predominantemente dominada por homens, uma realidade.



Mãe de Franciléia, 14 anos, e Jaine,12, a moradora do município de Manoel Vitorino, Léia Couto Cruz, 33, é um exemplo disso. Desde os 21 anos, ela se dedica à agricultura familiar e, depois de passar por capacitações do Gente de Valor, projeto coordenado pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), sente-se satisfeita.

"Estou realizada, porque alcançamos nosso sonho e pudemos transformar o umbu, um fruto de nossa terra que se perdia, em renda. A mulher está dominando, trabalhando mais, entrando no mercado. Antes, ficava em casa. Hoje, ela luta pela igualdade. Ficamos felizes das mulheres estarem conquistando seu próprio espaço, sua renda, e conseguindo o que realmente querem", disse a agricultora.

Desenvolvimento da cooperativa

Ela conta que, no início, eram apenas 18 pessoas na Cooperativa de Produção e Comercialização dos produtos da Agricultura Familiar do Sudoeste da Bahia (Cooproaf). Hoje, a cooperativa cresceu muito e possui 75 cooperados. As mulheres representam 75% deste total. "Estamos entrando também no mercado do Plano de Aquisição de Alimentos (PAA) e Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae). Tenho alegria de saber que nosso fruto, que se perdia e o animal comia, hoje, é transformado. O fruto, a árvore sagrada, o ouro da gente, transformamos em derivados do umbu. Isso representa um avanço muito grande", ressaltou.

Com a produção, mais expressiva no período de safra, de janeiro a março, as mulheres da Coproaf vendem compota de umbu em calda (R$ 7), doce cremoso (R$ 5), geleia de umbu (R$ 6), nego bom (R$ 13 por quilo), doce de umbu em barra (R$ 6), entre outros derivados do fruto. Os produtos chegam ao mercado local de Manoel Vitorino e região que abrange os municípios de Vitória da Conquista, Poções, Jequié, e cidades vizinhas.