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domingo, 31 de outubro de 2021

Wilson Midlej: REENCONTROS DE AMIGOS CINQUENTA E TANTOS ANOS DEPOIS

Na foto da esquerda para a direita: Zé Américo Castro, Wilson Midlej, Nego Saló e Edinho Thiara



Por Wilson Midlej

Quem de nós, amigos nos idos de 1963/64, poderia imaginar um reencontro prazeroso em plena pandemia de 2020, numa casinha qualquer do “Bairro Novo” na querida Ipiaú?

Pois é, estive com o garoto Zé Américo, hoje sexagenário jornalista, poeta e escritor; o nego Saló, hoje Doutor Salomão Matheus, amigo de fino trato, engenheiro agrônomo e fazendeiro, bem como o famoso Edinho – segundo o cronista Zé Américo, o Sultão do Guloso - herdeiro, do não menos famoso pecuarista/cacauicultor, Zé Thiara.

Tudo isso a contar com a companhia do sempre harmonioso e leve, Arthur “Show-Business” Pires, que o seu imenso universo de admiradores insiste em chamar de “Artur Produções”, talvez pela recorrente assinatura nos cartazes anunciando shows de artistas famosos por quatro décadas, em toda a região. Na verdade, Arthur não era nem nascido nos anos sessenta... Mas estava lá conosco, fotografando, se emocionando e sorrindo junto, naquele reencontro onde as mesmas gargalhadas do passado, agora ao relembrar casos fortuitos, enchiam a rua com a nossa contagiante alegria.

Edinho Thiara é uma figura folclórica. Aos 30 anos herdou, juntamente com a mãe e mais dois irmãos, a fabulosa fortuna do patriarca libanês que chegou ao Brasil aos 18 anos de idade, aportou em Jequié e, desde o primeiro tostão... trabalhando e poupando, sempre, tornou-se um dos homens mais ricos da região. Dizia-se que em seu baú feito de jacarandá da Bahia, depositava as escrituras das mais de 50 propriedades rurais entre fazendas de cacau e de pecuária.

Considerado um playboy, no conceito da época, Edinho Thiara, que estudava na Suíça, não conseguiu renovar o visto de estudante e precisou retornar pra Bahia. Dizem que foi por causa do comportamento...

Em Ipiaú, o menino rico deslumbrou-se com a nova condição e passou a viver intensamente cada momento. Nascido em berço de ouro, não teve educação para ser rico. O seu convívio com a fortuna sempre foi conflituoso. Nas farras com os amigos, contava histórias e era sempre o protagonista de atos heroicos e de extrema valentia. Até hoje cultiva essa fantasia, baseada em efêmeros e ultrapassados valores. Na verdade, Edinho sempre foi afetuoso, generoso e sensível. Talvez tenha lhe faltado a oportunidade de sair com o seu pai, de mãos dadas, para chupar rolete de cana no Estádio Pedro Caetano, como faziam os outros garotos...

Zé Thiara, muito ocupado em construir para os filhos um futuro de riqueza e conforto, esqueceu-se de passear com Edinho. Uma pena.

Com a filha querida, Soninha, foi diferente: entre atenções e mesuras, ela tinha o domínio sobre ele nos fins de semana do casarão do Rio Vermelho, e pôs-se a se aculturar e hoje é advogada. Felizmente Edinho contava com o carinho e cumplicidade da mãe, dona Benzinha, a quem ele chamava de minha "Doris Day”.

Nos encontramos na tarde desta terça feira.

Pelo inusitado do evento, faltaram muitos. Nestor Linhares, Aldo, Zé Nilton Castro, Humberto Cabeleira, Cara-de-Cavalo, Paulo Pila, Mario Duarte... entre muitos.

Mas, entre os que se encontraram, constatou-se: estava tudo igual, não fosse por alguns desgastes orgânicos: uns, meio moucos, outros precisando submeter-se a cirurgia de cataratas, alguns diabéticos, hipertensos, empenados, mas, todos vivos e alegres, com a memória ativa e fina, o olhar de paisagem e o sorriso nos lábios, como sempre fora na Ipiaú de todos os tempos.





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