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terça-feira, 20 de setembro de 2022

Meu Pranto de Poeta: Ex-secretário de Cultura Bené Sena lamenta a morte de Miguel Mensitieri

Bené Sena a direita e o amigo Miguel Mensitieri


"Em Mangueira quando morre um poeta todos choram".

Texto: Benedito Freire Sena, ex-secretário de Cultura, músico diletante e avô de Elis Antonieta 

_Causou estranheza a mim e aos demais presentes no velório do poeta, contista, cronista e revisor, Miguel Mensitieri, a ausência de uma nota de pesar e de um representante da Secretaria de Cultura e Turismo do Município, cujo secretário é escritor, membro da Academia de Letras de Jequié,  suposto defensor das causas culturais, históricas e ecológicas desta terra. 

Também mantiveram-se em sua zona de conforto tantas outras autoridades artísticas e políticas. Certamente optaram por acompanhar remotamente as solenidades fúnebres da Rainha Elizabeth II.

Pelo menos os confrades e confreiras de Mensitieri - que deixa vaga a cadeira 37 da ALJ, cujo patrono é o artista plástico tropicalista Edinizio Ribeiro -  se fizeram representados pelo poeta e atual presidente da instituição, Júlio Lucas e seus colegas Leonam Oliveira e Márcia Rúbia. Também é justificável a ausência dos que encontram-se enfermos ou em idade avançada. 

Mas, ao acordar nesta manhã cantarolando Nelson Cavaquinho, me vem o lamento que não cala diante de outro samba: Ainda me surpeende a  ausência dos ditos intelectuais em eventos e  solenidades dos nossos verdadeiros talentos em vida ou post-mortem? Creio que não... já não surpreende... se tornou enfadonha rotina na brilhante Cidade Sol este samba de uma nota só. 

E já previa Waly Salomão, o esquecimento por ignorância (ou a ignorância do esquecimento) por parte dos seus conterrâneos: "eu não prescindo de Jequié, Jequié é que prescinde de mim". E reclamava   mais ou menos assim: "Se quiserem me homenagear que seja enquanto estou vivo". Nem uma coisa nem outra, poeta... 

Enquanto isso, como bons súditos de autoridades plebeias, assistimos passivos com a aquiescência de parte da Sociedade Organizada, o sepultamento da Biblioteca Central Newton Pinto de Araújo posta à venda por uma ninharia. 

Depois do cortejo de milhares de livros em caminhão aberto da prefeitura retornando à antiga, mimosa e pequenina Biblioteca Municipal, onde há quase duas décadas já não cabia mais seu significativo acervo em meio aos estudantes de então ávidos por leitura, vem a pá de cal sobre a biblioteca dos sonhos.

Evidente que não estamos em Mangueira onde morreu contente o grande Nelson Cavaquinho e tantos outros poetas seresteiros. Mas gostaria de continuar cantarolando meu Pranto de Poeta: 

"Vivo tranquilo em Mangueira porque

Sei que alguém há de chorar quando eu morrer...".


Viva Nelson Cavaquinho!

Viva Guilherme de Brito!

Viva Miguel Mensitieri!

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